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Estudantes realizam ato contra homofobia no campus

A manifestação foi motivada pela recente repercussão de postagens homofóbicas feitas contra estudantes do campus.
  • Jorge Martins
  • publicado 26/04/2022 12h27
  • última modificação 27/04/2022 18h01

Os alunos utilizaram apitos e cartazes para se posicionar contra atitudes homofóbicas no ambiente escolar.

A história é típica. Um perfil anônimo nas mídias sociais, um discurso de ódio e o comportamento repetido no intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar alguém. São características comuns de uma prática que pode ser categorizada como cyberbullying. Desde a semana passada, tem repercutido o ataque homofóbico sofrido por estudantes do IFMA Campus São Luís – Monte Castelo em uma sequência de postagens do Instagram. A comunidade reagiu, e o episódio motivou um ato contra a homofobia realizado por estudantes nessa segunda-feira (25), em frente ao refeitório do campus.

Os estudantes Jheymisson Kayron e Camila Pedrosa estiveram à frente do ato.

O protesto foi convocado pelo Coletivo Para Todos, organização estudantil com expressiva participação de alunos do IFMA. Os manifestantes se reuniram ao meio dia na área de vivência, onde fizeram uma oficina de cartazes. Em seguida, se dirigiram até o refeitório fazendo um apitaço e entoando um coro contra todo tipo de discriminação por orientação sexual.

Uma das lideranças era Jheymisson Kayron, aluno da Licenciatura em Matemática e representante discente no Conselho Superior do IFMA. “Casos de homofobia já ocorrem há muito tempo, só que muitas vezes as vítimas não se sentem confortáveis para denunciar. Em pleno século XXI, isso está acontecendo no âmbito escolar, fazendo com que as vítimas não se sintam bem dentro do próprio campus”, afirma. Ele defende a urgência de mostrar essa insatisfação, criar políticas para combater o problema dentro da instituição e cobrar mais agilidade na apuração das denúncias.

“A educação precisa ser transformadora e emancipadora. Dito isto, um campus centenário como o Monte Castelo não pode admitir atentados homofóbicos e nenhum tipo de preconceito”, argumentou o egresso Matheus Marques, que hoje é diretor de ciência e tecnologia da Ubes. Na mesma linha, a ex-aluna Camila Pedrosa, atual diretora de universidades privadas da UNE, lembra que a escola deve ser um ambiente democrático. “O Instituto Federal do Maranhão foi e é referência não só em ensinar o conteúdo didático em sala de aula, mas também formar cidadãos. Então nossa principal missão aqui hoje é dizer não para um preconceito específico, que é a homofobia”, explica.

O ato atraiu a atenção e o apoio de vários estudantes que passavam pelo local. O clima era de solidariedade às vítimas e desejo de romper a cultura do silenciamento. “A gente tem que se unir em prol de uma educação melhor e um ambiente acolhedor, livre de violências”, protestou a estudante Dayane Jandyacira, do curso técnico em Segurança do Trabalho.

Apuração dos fatos

Com base nas denúncias compartilhadas pela internet, a direção-geral do Campus São Luís – Monte Castelo gerou um processo administrativo para apurar os fatos. Ainda na semana passada, uma das vítimas relatou o episódio em um grupo de representantes de turma e a chefe do Departamento de Assuntos Estudantis (DAE), Carla Faria, orientou que o estudante e familiares registrassem um boletim de ocorrência em delegacia especializada. A psicóloga da escola agendou um horário para atendimento e acolhimento do aluno nesta terça-feira (26).

“Nós repudiamos e não compactuamos com atos de homofobia. Nesse sábado, a Procuradoria Jurídica nos orientou a fazer um procedimento interno de apuração para tentar chegar até a pessoa que causou toda essa violência”, relatou o diretor-geral do Campus Monte Castelo, professor Cláudio Leão.

Tanto a homofobia quanto a transfobia foram criminalizadas no Brasil desde 2019, quando um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) enquadrou essas condutas no crime de racismo (Lei 7.716). Assim, a orientação é reunir provas e registrar um boletim de ocorrência a fim de responsabilizar os autores. As investigações policiais têm condições de descobrir inclusive a identidade por trás de perfis anônimos nas plataformas de redes sociais.

IFMA Livre de Violência de Gênero

Ataques homofóbicos são associados ao fenômeno mais amplo da violência de gênero. No Instituto Federal do Maranhão, atualmente está em fase de implementação um projeto estratégico intitulado “IFMA Livre de Violência de Gênero”. A ideia é formar comissões locais em todos os campi para dar mais celeridade às denúncias e garantir que sejam aplicados os fluxos de apuração dos casos.

Uma das coordenadoras do projeto é a professora Daniele Segadilha, do Campus Monte Castelo. Ela também comenta o recente episódio e fala da relevância de promover ações educativas. “É importante também oferecer cursos, debates e conversas no sentido de orientar o que configura uma violência de gênero, falar sobre questões de gênero – dada a necessidade desse tema dentro do espaço público escolar. É preciso que isso venha à tona e não silenciado”, avalia.

Atualmente, o projeto “IFMA Livre de Violência de Gênero” está em fase de diagnóstico nos campi para levantar como o tema tem sido abordado em cada unidade. Uma das metas a curto prazo também é realizar capacitações mensais com os dirigentes da instituição.

Denúncias

Em casos de homofobia e violência de gênero, além de registrar boletim de ocorrência, também é possível iniciar um processo administrativo. No IFMA, estudantes e servidores que forem vítimas ou presenciarem e tomarem conhecimento desse tipo de crime devem denunciar. As denúncias podem ser enviadas por meio do Canal da Ouvidoria ou para a Comissão de Ética.

• Ouvidoria: por meio do site ou pessoalmente na Ouvidoria Institucional, localizada na Reitoria do IFMA. Telefone: (98) 98421-1007.

• Comissão de Ética: por meio de formulário próprio, disponível no site da Comissão de Ética, para o e-mail etica@ifma.edu.brou comparecendo, com aviso prévio via e-mail, perante a Comissão de Ética, também localizada na Reitoria.

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