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Pesquisa apresenta metodologia para construção de gráficos táteis de azulejos

Trabalho desenvolvido pela professora Ivana Maia tem como público-alvo pessoas com deficiência visual.
  • Assessoria de Comunicação
  • publicado 31/01/2019 10h49
  • última modificação 31/01/2019 10h51

Objetivo da pesquisa é desenvolver uma metodologia para a construção de gráficos táteis

Conhecida como “cidade dos azulejos”, a capital do Maranhão, São Luís, possui um Centro Histórico marcado pelos casarões em estilo arquitetônico colonial europeu e fachadas revestidas com azulejos trazidos, principalmente, de Portugal. Como possibilitar a uma pessoa com cegueira ou baixa visão o acesso a essa riqueza cultural? Foi pensando nessa questão que a professora Ivana Maia, do Campus São Luís – Monte Castelo, realizou seu estágio de pós-doutorado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto – FEUP, em Portugal, concluído em dezembro de 2018.

O trabalho desenvolvido no pós-doutoramento foi voltado para a tecnologia assistiva, área na qual a professora já vem atuando há alguns anos. O objetivo central foi o desenvolvimento de metodologia de prototipação de gráficos táteis de azulejos, elementos artísticos e culturais, a fim de possibilitar o acesso de pessoas cegas ou de baixa visão à exploração pelo tato desses elementos, viabilizando acesso à sua interface. “Sou designer com doutorado em Engenharia Mecânica. Dessa forma, as nossas pesquisas envolvem conhecimentos nas duas áreas. O trabalho vem somar-se às ações voltadas à inclusão das pessoas com deficiências e, nesse aspecto, entendo que os modelos físicos podem possibilitar às pessoas com deficiências visuais trabalhar conceitos espaciais por meio da manipulação (exploração tátil) desses objetos”, explica Ivana Maia.

A docente aponta que, ao sermos colocados diante de uma imagem, é necessário refletir se essa iconografia foi produzida por alguém com algum objetivo. Dessa forma, o trabalho se expandiu para a pesquisa iconográfica e iconológica de composições gráficas azulejares. A análise iconográfica busca interpretar a imagem recorrendo à pesquisa em outras áreas do conhecimento; já a interpretação iconológica se dá quando o espectador/leitor relaciona as criações artísticas com o meio social e político em que foram produzidas, considerando as tendências de uma determinada época e de um lugar específico.

Professora Ivana Maia visitou o centro histórico de cidades de Portugal durante a pesquisa

Antes da produção dos gráficos táteis, além da cidade de Porto, foram visitados os centros históricos de diversas cidades portugueses, como Lisboa, Aveiro, Coimbra, Guimarães, Viana do Castelo, Matosinhos, entre outras. “Uma forma de questionar e entender as ideias e mensagens foi buscar pistas no contexto social, político e ideológico da época e local de sua fabricação”, pontua Ivana.

Outro aspecto presente no trabalho foram as texturas dos gráficos táteis, com a realização de experimentos com diferentes características de superfícies. Além de azulejos, a pesquisa contemplou os monumentos de São Luís, escolhendo o Obelisco Manuel Beckman, construído em 1910 na Avenida Beira Mar e reconhecido pelos historiadores como o monumento mais antigo de São Luís. “A importância histórica desse monumento e a impossibilidade de ser reconhecido totalmente apenas pelo tato (devido às suas dimensões), foram os critérios decisivos na escolha para a modelagem neste trabalho. Foi também executado o modelo tridimensional de um gradil de ferro, entendendo que esses elementos também traduzem a história da nossa cidade”, contextualiza a pesquisadora.

 

Próximos passos

O trabalho não se restringiu somente a produzir modelos e buscou definir uma metodologia para possibilitar a produção de variados gráficos táteis com o uso de impressora 3D. A ideia é publicar os resultados da pesquisa referentes à metodologia de desenvolvimento de gráficos táteis, que estarão disponíveis para todos os interessados nessa forma de interação. “É nosso objetivo, além da publicação dos artigos científicos com os atuais resultados, expandir a pesquisa e publicar um livro dedicado a todos aqueles que, como eu, acreditam no diálogo entre a tecnologia e a cultura, em favor da construção de uma sociedade inclusiva”, destaca Ivana Maia.

Os modelos produzidos no estágio de pós-doutoramento serão utilizados em projetos de extensão voltados para grupos de pessoas com limitações visuais. Nessa etapa, as técnicas de exploração tátil e as características do modelo serão avaliados, como as texturas, alturas do relevamento escalas etc.

Além do apoio do IFMA, o estágio foi realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão – Fapema (Edital BPD 08721/17), sob a orientação do Prof. Dr. Renato Natal Jorge, catedrático do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade do Porto, que atribuiu conceito Excelente aos resultados da pesquisa, enaltecendo a parceria do IFMA com a FEUP.

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