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Especialistas debatem políticas de saneamento básico

Programação do 1º Colóquio Desafios do Desenvolvimento Urbano continua hoje, tratando de planejamento das cidades
  • Augusto do Nascimento
  • publicado 10/10/2017 12h54
  • última modificação 10/10/2017 12h54

Davi Telles (SECTI) apresentou palestra sobre saneamento básico na abertura do evento

Mais que uma questão de políticas públicas ou de direito dos cidadãos, o saneamento básico envolve um desafio cultural da sociedade moderna, para assegurar a existência humana e a convivência social. A avaliação foi feita por Davi de Araújo Telles, titular da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), na palestra de abertura do 1º Colóquio Desafios do Desenvolvimento Urbano, que teve início nesta segunda-feira (9), no campus do IFMA em São Luís (Monte Castelo). Organizado pelo grupo de pesquisa “Estudos Urbanos: Arquitetura, Engenharia e a Cidade”, o evento prossegue hoje à noite (ver programação abaixo), no Cineteatro Viriato Corrêa, com debates sobre o tema do planejamento nas cidades.

De acordo com o palestrante, o saneamento básico constitui a disciplina administrativa mais importante na formulação e execução de políticas públicas, por apresentar transversalidades com as demais áreas de atuação dos gestores, em especial a saúde e a proteção ambiental, com impacto sobre a qualidade de vida das pessoas. Ex-presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), Davi Telles considerou a necessidade de a população perceber a gravidade da questão e assumir coletivamente o compromisso de preservar os recursos hídricos, pois sem essa postura cultural o sucesso de medidas no âmbito da gestão pública fica comprometido. “Cada indivíduo é responsável por cada corpo hídrico”, disse o secretário, informando que, para cada real investido em saneamento, são economizados quatro reais nas ações de saúde. Ele considerou ainda o fato de o Brasil possuir dimensão continental, mas não ter conseguido uma distribuição demográfica satisfatória, com cerca de 84% da população vivendo atualmente em centros urbanos.

Sobre a realidade do Maranhão, Davi Telles observou que a Caema opera em mais de 140 municípios, mas o atendimento domiciliar dos sistemas de água tratada e coleta de esgoto alcança as cidades de São Luís, Imperatriz e Barreirinhas, sendo executado por sistemas municipais em outros locais. Referindo-se à Lei Nº 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, o gestor avaliou que a concessionária enfrenta inúmeros déficits (de arrecadação, institucional, administrativo, de perdas, dentre outros), o que requer uma revisão dos valores cobrados nas tarifas e da qualidade dos serviços prestados. Quanto aos recursos hídricos da capital do Estado, Davi Telles destacou iniciativas de recuperação que beneficiaram os leitos dos rios Pimenta, Claro e Calhau, mas chamou a atenção para o Rio Anil ser a principal via fluvial que atravessa São Luís e sofrer com a descarga de resíduos e esgoto.

Além do titular da SECTI, foi também palestrante do 1º Colóquio de Desenvolvimento Urbano a bióloga Laís de Morais Rêgo Silva, analista ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) e gerente de meio ambiente e recursos hídricos da Caema. Especialista em Auditoria e Perícia Ambiental, com mestrado em Biodiversidade e Conservação pela UFMA, ela debateu com os participantes sobre a gestão de recursos hídricos no ambiente urbano. Encerrando a primeira noite do colóquio, o tema discutido foi licenciamento ambiental e o desenvolvimento urbano, com a palestrante Andreia Pereira Amorim. Engenheira agronômica, auditora ambiental e perita judicial ambiental, ela é especialista em Gestão Ambiental pela UFLA-MG e mestre em Agroecologia pela UEMA, com doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte/Biodiversidade e Conservação. Andreia Amorim atua nas áreas de auditoria ambiental, gestão e manejo ambiental na agroindústria e sistemas agrícolas voltados para o desenvolvimento sustentável.

Colóquio

Líder do grupo de pesquisa “Estudos Urbanos: Arquitetura, Engenharia e a Cidade”, que organizou o evento, a professora Cynthia Leonis Dias Cintra informou que a iniciativa teve o propósito principal de sensibilizar os alunos sobre a importância da investigação científica no ambiente acadêmico, além de divulgar os trabalhos que vêm sendo realizados por docentes e estudantes. Segundo a pesquisadora do Departamento de Construção Civil do Campus Monte Castelo, a concretização do 1º Colóquio Desafios do Desenvolvimento Urbano contou com a ampla mobilização de alunos na coordenação das atividades, definição dos eixos temáticos a serem debatidos, busca de patrocínio, divulgação do evento, dentre outras ações, de forma que a expectativa inicial de público acabou sendo superada. “O mais importante é a socialização do conhecimento”, disse Cynthia Cintra, ressaltando a contribuição dos palestrantes convidados para a discussão dos temas propostos.

Colóquio reuniu estudantes, docentes e profissionais para debater problemas das cidades

“O grupo de pesquisa parte exatamente do anseio de devolver à sociedade de alguma forma o investimento feito no IFMA”, explicou o engenheiro civil Paulo Henrique Santos Queiroz, coordenador do Colóquio, a respeito da motivação para organizar o conjunto de palestras. Ele justificou a escolha dos eixos temáticos do evento por se tratarem de problemas urbanos históricos e fenômenos sociais em voga na atualidade, para os quais os próprios envolvidos podem propor soluções adaptadas à realidade local. Segundo Paulo Queiroz, a organização buscou profissionais que atuam nos temas do Colóquio e que podem contribuir com a discussão sobre saneamento e planejamento na Região Metropolitana de São Luís, alcançando inclusive as próximas gerações de jovens pesquisadores.

Lucas de Brito Nascimento é aluno do 7º período do curso de Engenharia Civil no Campus Monte Castelo, e participou do Colóquio pela afinidade com as áreas abrangidas. Integrante do grupo de pesquisa liderado pela professora Cynthia Cintra, o estudante avaliou a realização do evento como resultado do trabalho do grupo, criado para unificar os projetos que vinham sendo realizados de forma independente, e ampliar a abrangência dos temas estudados. “O Colóquio vem justamente demonstrar a propagação do conhecimento científico no IFMA”, disse Lucas de Brito, que pretende atuar na área de desenvolvimento urbano depois de concluir a graduação.

Representando a gestão do Campus Monte Castelo, os professores Cláudio Leão Torres (diretor-geral) e Déa Nunes Fernandes (diretora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação) informaram que a unidade do IFMA conta com 38 grupos de pesquisa credenciados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desenvolvendo 169 projetos com bolsistas. “Nossa intenção é continuar apoiando os grupos de pesquisa do Instituto”, disse Déa Fernandes, refletindo que a complexidade do mundo apresenta diversos problemas a serem resolvidos, e a interlocução e transversalidade de diferentes campos do saber fundamentam as dimensões do ensino, pesquisa e extensão.

 

PROGRAMAÇÃO (10 de outubro, terça-feira)

– Eixo temático: Planejamento Urbano –

 

19h

Mesa de abertura

 

19h15

Palestra 1: Construindo Cidades Melhores: O desafio do desenvolvimento urbano no Brasil

José Murilo Moura dos Reis (Especialista em Segurança do Trabalho, Engenharia Ambiental, Engenharia de Avaliações e Perícias, é mestrando em Saneamento Ambiental, professor universitário e conselheiro suplente do CREA-MA).

 

20h

Palestra 2: O uso da tecnologia BIM para projetos arquitetônicos e urbanismo

Edson Andrade de Alencar (Graduado em Direito pela UFMA e em Arquitetura e Urbanismo pela UNICEUMA. Integrante da primeira turma de especialistas em plataforma BIM do Maranhão pelo INBEC, trabalha em equipes de ensino e implantação dessa metodologia em instituições e pessoas jurídicas de direito público e privado).

 

20h45

Palestra 3: Infraestrutura Urbana: Planejamento e Sustentabilidade de Médias e Pequenas Cidades

Claudicéia Silva Mendes (Arquiteta e urbanista pela UEMA, com especialização em Gestão Pública Municipal e Engenharia de Produção e mestrado em Energia e Ambiente pela UFMA, onde é coordenadora do curso de Engenharia Civil, no Campus Balsas. Tem experiência nas áreas de Planejamento Urbano e Projetos de Arquitetura).

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